segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Conto juvenil


Aconteceu no GES

Puxa! Eu sabia o nome dela tão memorizado. Foto da minha adolescência. E agora que vou falar daquela menina gorda, ocorre-me tê-lo esquecido completamente.

Mas, ela era bem feia: tronco largo, pernas finas; lábios finos e sem graça; cabelos loiros escorridos, lisos e sem volume; ela era sem cheiro nem cor. Ah! a saia do uniforme escolar emendava com as meias três-quartos. Tão antiquada em plena época minissaia.

Muito bem tratada e respeitada pelos mestres do colégio estadual. Tirava excelentes notas. Embora se-lhe não notássemos nenhum brilho, nenhuma criatividade.

Aquela pobre alma se apaixonou pelo odiado - por mim e tantos outros alunos - professor de matemática. Joel, um neurótico, sádico, recém-casado. Daí por diante, ela passou a tirar nota dez em todas as provas dele. Deveria estar estudando como uma burra. E começou a fracassar nas demais disciplinas.

O fato é que a mocinha transviava-se e tresloucava-se. Já "colava" descaradamente na prova da professora de Biologia. Ninguém se atrevia a tal. A Alina, excelente, era rigidíssima. Contudo, nossa heroína tinha conquistado a confiança dos mestres. Nenhum a vigiava. Então ela podia dar-se ao comodismo de abrir, tranquilamente, o livro, grande, e proceder à cópia.

O todo inusitado e admirável ocorria no momento das aulas dele. Agora, ela passava um "rouge" bem vermelho nas faces; um batom alaranjado nos lábios; um lápis preto no contorno dos olhos. Prendia uma fita vermelha no alto da cabeça. Desabotoava a blusa à altura do busto. Enrolava a saia, tornando-a míni. E sentava-se de pernas abertas, na primeira carteira, defronte da mesa do professor.

Um dia, a Saragoza, minha amiga e a única pessoa com quem ela tinha conversas, contou-me que nossa mulher fatal lhe revelou seus hábitos em vida privada. Não saía do quarto. Masturbava-se a todo tempo, encaminhado ao professor suas fantasias eróticas. E assim foi até que conseguiu engravidar. Há três meses não lhe ocorria menstruar. Iria tomar uma injeção abortiva numa farmácia xis.

Fora ele. O professor de matemática a havia deflorado e engravidado, numa noite.

O professor continuou o mesmo de sempre nas suas aulas, fleumático e distante.

Quando terminou o ano, a Cecília - lembrei-me de seu nome - saiu do colégio. Havia terminado o ginásio e não prosseguiria seus estudos.

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